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Terça-feira, Abril 26, 2005

MUDAMOS DE ENDEREÇO

Informo aos ilustres leitores/as que por motivos técnicos este site será desativado.
Desde já convido à todos a visitarem minha nova homepage, mais dinâmica e espaçosa para uma leitura mais proveitosa de Vossas Senhorias.

Accessem o "A Clava Forte" - http://avante-camarada.tripod.com e sejam bem vindos!

Atenciosamente,

Yitzhak Frank Katan

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

DIA DO IMPERIAL MARINHEIRO

MARQUÊS DE TAMANDARÉ
PATRONO DA MARINHA IMPERIAL DO BRASIL

Almirante da Marinha Imperial do Brasil, Joaquim Marques Lisboa - Marquês de Tamandaré – foi "O Nelson Brasileiro"!
Por tradição muito mais que justa é cultuado patrono desta ainda grandiosa Marinha, em razão, segundo o espírito do Aviso 3322 de 4 de dezembro de 1925 que instituiu o seu aniversário como o Dia do Marinheiro e Dia de Tamandaré.
"Representar na História Naval Brasileira a figura de maior destaque dentre os não poucos ilustres Oficiais da Marinha Imperial que honraram e elevaram a sua classe", fora questão de justiça histórica homenagear o "Velho Marinheiro". E mais, "neste dia deveria a Marinha render-lhe as homenagens reclamadas por seus inomináveis serviços à liberdade e união dos brasileiros, demonstrando que o seu nome e exemplos, continuam bem vivos no coração de quantos sabem honrar a impoluta e gloriosa farda da Marinha Imperial Brasileira".

Por seus quase 67 anos de heróicos, legendários e excepcionais serviços prestados à Marinha, é por ela hoje considerado o seu Marinheiro Símbolo e Padrão.

O futuro Almirante Tamandaré ingressou na Marinha Imperial em 4 de março de 1823, aos 16 anos, tendo sido designado para servir a bordo da fragata "Nictheróy", como praticante de piloto, ao comando do Almirante Taylor que, integrando a Armada Imperial Brasileira, então ao comando de Lord Cockrane, combateu as Forças Portugueses que recusavam submeter-se à Nova Ordem, agora sob o reinado de Dom Pedro I, quando por ocasião da Independência, na Bahia, em 1823.

Terminada esta guerra, na qual se destacou, freqüentou por quase um ano a Academia Imperial dos Guardas - Marinha, até ser requisitado pelo Almirante Cockrane para embarcar na nau "Dom Pedro I" destinada a combater, desta vez, maus brasileiros, sob a denominação de "Confederação do Equador", no Nordeste. Nestas ações se impôs a admiração e estima dos seus chefes os quais atestaram que ao tempo de sua participação na guerra da Independência "já possuía condições de conduzir uma embarcação a qualquer parte do mundo". Com isto conseguiu sua promoção a 2º Tenente em 2 de agosto de 1825, marco de sua brilhante carreira que o conduziria a condição de marinheiro de guerra símbolo e padrão de um Brasil que desde a chegada da Real Corte, tranformou-se em respeitável potência, embora a historiografia oficial, que é cega e ignorantemente republicana, nega em revelar nos livros escolares.
"Foi o Marquês de Tamandaré marinheiro de dois grandes Reinados, sob a égide de pai e filho grandes estadistas, vira o Brasil transformar-se em Reino e potência respeitada, guerreara nas campanhas pela Independência, nas justíssimas intervenções no Prata, defendendo com alto grau de patriotismo os interesses do Brasil, tomara sempre parte ao lado da lei nas convulsões que sacudiram o Brasil quando no período das Regências, criara e legara a vitória no Uruguai e no Paraguai à Marinha Imperial do Brasil, no Reinado de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II - "O MAIOR DOS BRASILEIROS", assistira incrédulo e desgostoso a Proclamação da República, a Revolta da Armada - de sua Marinha Imperial que toda a sua vida dedicara com honra, pisara o convés de tábuas dos veleiros e na coberta chapeada de ferro dos primeiros encouraçados da marinha que se tornara a segunda armada de guerra depois da Inglaterra, vira a nau e o brigue, o vapor de rodas e o monitor e a couraça e o torpedeiro destinada a vencê-la".

O Marquês de Tamandaré é grande parte da História do Brasil e de sua Marinha.
Após haver combatido na guerra da Independência na Bahia, em 1823 e na Confederação do Equador, em 1824, Tamandaré lutou na guerra Cisplatina 1825-28, inclusive no comando de dois navios, aos 20 anos, quando capturou em ação os barcos adversários "Ana" e "Ocho de Febrero", além de haver lutado bravamente em Corales e Lara Quilmes. Teve atuação febril no combate das Setembrada (set 1831) e Abrilada (abr 1832) e Praiera (1840) em Pernambuco e Sabinada (1835), na Bahia e Balaiada (1841), no Maranhão (1841). Ali comandou as Forças Navais, quando, em apoio à Caxias, desempenhou ação decisiva no campo logístico e operacional.

Por estar enfermo não combateu na guerra contra Oribe e Rosas (1851-52). Manteve ação brilhante e direta na campanha contra Aguirre, em 1864 e destacada na guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (a Guerra Grande 1865-70), até 22 de dezembro de 1866.

Seu maior feito militar foi haver comandado a conquista da cidade oriental de Paissandú, em 1 e 2 de janeiro de 1865. Vitória que assegurou às Forças Imperiais do Brasil, posição estratégica de real valia na vigilância de fronteira, além de com ela abrir os portos à posse de Montevidéu, conseguida com o acampamento do nosso então glorioso Exército Imperial em Frei Bentos e de nossa Armada no porto de Montevidéu.

Em 11 de junho de 1865 travou-se a vitoriosa Batalha do Riachuelo, a maior batalha naval da América do Sul vencida pela 2ª e 3ª divisões da Esquadra Imperial Brasileira sob o seu comando, e então comandada pelo Almirante Barroso.

Marquês de Tamandaré após relevantes serviços no comando da Esquadra Imperial em operações, passou o comando da mesma, em Curuzú, encerrando, assim, mais de 30 anos de assinalados serviços à Segurança de um Brasil não somente gigantesco em sua geografia, mas em seu estadismo, prestando-se, até 20 de janeiro de 1890, data de sua reforma, depois de quase 67 anos de notáveis serviços à administração naval do Império do Brasil.

Marquês de Tamandaré nasceu em 13 de dezembro de 1807, na Vila de São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Filho de Francisco Marques Lisboa e de Eufrásia Joaquina de Azevedo Lima, de uma numerosa família formada por 12 irmãos. Sua infância e meninice transcorreu debruçado no sangradouro da Lagoa dos Patos, onde desenvolveu grande habilidade em natação e aprendeu navegação. Inúmeras vezes atravessou o canal que mais tarde mapeou, como capitão, em vai e vem, entre as vilas de São José do Norte e Rio Grande.

Almirante e Marquês de Tamandaré casou-se a 19 de fevereiro de 1838 com sua sobrinha Eufrásia de Lima Lisboa, com a qual teve 6 filhos.

O velho, experimentado, audaz, corajoso lobo do mar brasileiro, Almirante Tamandaré, "âncora da lei" de um Brasil respeitado e temido, baluarte defensor da Nacionalidade, findou sua existência aos 88 anos, em 20 de março de 1897, no Rio de Janeiro. Dispensou honras fúnebres, segunfo sua vontade, como abaixo reproduzido o seu testamento:
"Exijo que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula e coberto com um lençol, metido em um caixão forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda, branca, e sobre ela colocada a âncora verde que me ofereceu a Escola Naval em 13 de dezembro de 1892, devendo-se colocar no lugar que faz cruz a haste e o cepo um coração imitando o de Jesus, para que assim ornado signifique a âncora-cruz, o emblema da fé, esperança e caridade, que procurei conservar sempre como timbre de meus sentimentos. Sobre o caixão, não desejo que se coloque coroas, flores nem enfeites de qualquer espécie, e só a Comenda do Cruzeiro que ornava o peito do Sr. Dom Pedro II, em Uruguaiana, quando compareceu como primeiro dos voluntários da pátria para libertar aquela possessão brasileira do jugo dos paraguaios que a aviltavam com sua pressão; e como tributo de gratidão e benevolência com que sempre me honrou e da lealdade que constantemente a Sua Majestade Imperial tributei, desejo que, essa Comenda relíquia esteja sobre meu corpo até que baixe à sepultura.
Exijo que se não faça anúncios nem convites para o enterro de meus restos mortais, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e deste à cova por meus irmãos em Jesus Cristo que hajam obtido o foro de cidadãos pela Lei de 13 de maio. Isto prescrevo como prova de consideração a essa classe de cidadãos em reparação à falta de atenção que com eles se teve pelo que sofreram durante o estado de escravidão; e reverente homenagem à grande Isabel a Redentora, benemérita da Pátria e da Humanidade, que se imortalizou libertando-os.
Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em carrocinha de última classe, enterrado em sepultura rasa até poder ser exumado, e meus ossos colocados com os de meus pais, irmãos e parentes, no jazigo da família Marques Lisboa.
Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha pátria e prestar alguns serviços à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva:
'Aqui jaz o Velho Marinheiro'
Almirante Joaquim Marques Lisboa - Marquês de Tamandaré"
Seis marinheiros de sua gloriosa e querida Marinha o transportaram da sua casa ao carro fúnebre.

Tamandaré sublimou as Virtudes Militares de Bravura, Coragem, Honra Militar, Desprendimento, Devoção e Solidariedade. Da última falam seus heróicos e repetidos feitos de repercussão internacional, de salvar navios e pessoas, em perigo no mar, sobre o que escreveu Gustavo Barroso, a propósito de um salvamento na Amazônia: "A esse homem que nascera predestinado às lides guerreiras, o destino reservara miraculosas salvações de navios e pessoas. Fizera-as já no Rio da Prata, nas águas plúmbeas da Patagônia, acabava de fazê-las no Mar Dulce da Amazônia, fá-las-ia ainda nos mares da Europa e do Brasil".

Patrono da Marinha, Almirante Tamandaré empresta seu nome a incontáveis ruas e avenidas de nosso país. Denomina também uma cidade no Estado do Paraná. Em Araraquara, seu nome está na rua através da Lei 1328, de 10 de março de 1964, que denomina Rua Almirante Tamandaré a antiga Rua Maranhão (Nona Travessa), na Vila Xavier.
E hoje? Não temos mais heróis senão um bando de interesseiros e aventureiros de última hora, "salvadores da pátria" que somente mergulharam e ainda mergulham o Brasil mais e mais para baixo no conceito das nações e humanidade!
Isaac Katan

Quarta-feira, Novembro 17, 2004

PALAVRAS DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL

Em meio à tormenta política,
restauração da Fé e da moral,
solução de fundo para
os problemas brasileiros.



Na atual crise por que passa nossa Pátria, as esperanças de um número crescente de brasileiros se voltam para a causa monárquica, persuadidos de que é nela que podem encontrar, na ordem do pensamento como no da ação, os rumos a seguir:
1. O País torna patente assim seu alto grau de vitalidade, pois um povo que, em meio à crise que o sacode, sabe voltar os olhos para seu passado, a fim de nele encontrar a inspiração para o futuro, revela ipso facto uma nobre perseverança no empenho de encontrar em si mesmo, e não em fontes alienígenas, as soluções adequadas a seus múltiplos problemas.
Desse desejo de uma volta às raízes, dá testemunho um conhecido matutino, particularmente insuspeito, já que se ufana de ter sido dos primeiros pregoeiros da República no Brasil. Constata ele: "A maioria das 800 pessoas entrevistadas durante o trabalho da Standard, Ogilvy & Malher demonstraram desejo de retorno aos velhos tempos. Tão antigos que chegaram a vibrar com a monarquia" ("O Estado de São Paulo, 30.08.92).
Um país em condições como são presentemente as nossas, que não procura a solução de seus problemas em medidas carentes de originalidade, superficiais e simplesmente mimetistas do que acontece fora de suas fronteiras, e pelo contrário, as procura em suas próprias raízes: esse País revela uma apetência fecunda de sua própria identidade. E é impossível não ver nisto a expressão de uma pujante vitalidade.
2. Cabe-me, como chefe da Casa Imperial, ir pressurosamente ao encontro dessa alta inspiração, ufano de presenciar a trajetória de nosso País rumo a essa significativa tradição, na qual um número crescente de meus compatriotas não vê apenas a evocação enlevada de um áureo passado, mas o receptáculo rico em inspirações de um largo e glorioso futuro.
3. Assim, fiel depositário, por sucessão dinástica, desses valores tradicionais provenientes de meus maiores, começo por exprimir o anelo de que as soluções que para nosso País se encontrem evitem, em toda a medida do possível, as malquerenças, as divisões, os entrechoques de brasileiros uns com os outros.
Por ocasião da Independência, a permanência do regime monárquico no Brasil se deveu, em larga medida, ao sábio empenho de nossos primeiros estadistas, em conservar a unidade nacional. Essa preciosa unidade resultou do mútuo afeto dos brasileiros, propensos a ver no Brasil nascente uma imensa família de Províncias - e depois de Estados -, mais do que um mero conglomerado anorgânico, interesseiro e efêmero, de unidades que o sopro de algumas simples desavenças regionalistas bastaria para desfazer.
Essa missão unificadora, a Coroa a desempenhou, com suavidade e vigor, de tal maneira que a oportuna implantação do regime federativo, e a simultânea proclamação da República - regime então no auge da modernidade internacional - não chegaram a combalir. E isto, apesar do fato de, quer a Federação, quer a República, serem, em diferentes medidas, centrífugas por sua própria natureza.
4. Desejoso, portanto, de atuar em nosso querido País como um fator de unidade, e não de divisão e de luta, abstenho-me aqui de qualquer referência, e sobretudo de qualquer tomada de posição ante as divisões políticas, às quais não faço alusão no momento, senão para formular uma observação prévia, acalentadora para nossos compatriotas de um e de outro lado do espectro partidário.
Noto, no panorama político, uma transformação que suscita grandes esperanças. Consiste ela em uma larga e aliás indispensável dilatação de horizontes em nossa vida pública. Com efeito, durante muito tempo os homens públicos e comentaristas políticos do Brasil foram influenciados pela idéia de que a vida do Estado pode desenvolver-se sem deitar muita atenção no contexto cultural e social do País. Parecia-lhes que ao Estado competia mover-se em esfera própria e de nível superior, na qual figurava como protagonista exclusivo, ou quase tanto, a classe propriamente chamada de política. De onde uma espécie de fratura do País em dois segmentos: os políticos, e a imensa massa apolítica. Esse erro, a Monarquia conseguiu evitá-lo em apreciável medida. Mas o sistema partidário, como a República o concebeu e o viveu, pelo contrário o aprofundou cada vez mais.
Presentemente, tal divisão parece estar atingindo um ponto de incandescência. Mas as acusações que uns e outros se vão atirando em face vão fazendo notar aos políticos e ao País a relação profunda existente entre os problemas morais e os problemas políticos, e que uma revivescência moral do Brasil se impõe como condição sine qua non para que este reencontre seu caminho. E, importa notar, uma das partes dessa revivescência deve ser a tradição, a qual, juntamente com a Fé e com os valores próprios da vida cultural de uma nação, pode levar a bom caminho o curso dos acontecimentos.
5. É preciso, dentro da atual conjuntura, considerar ainda outros aspectos positivos, os quais não é fácil discernir, em meio à fumarada da presente polêmica que sacode a nação.
Manda a verdade que reconheçamos não ser a atual crise brasileira um fenômeno autônomo, todo nascido de nosso chão, e relacionado apenas com os problemas nacionais.
Em seus traços essenciais, a crise que nos afeta se estende a todos os países da civilização ocidental.Assim, a crise da família, célula mater da sociedade, tão profunda e perigosa entre nós, abrange incontestavelmente todo o Ocidente. O mesmo se diga do ceticismo filosófico e religioso, o qual convive paradoxalmente com o que se pode chamar explosão das superstições mais arbitrárias, mais grotescas e mais primitivas, e o espraiar de uma verdadeira ofensiva contra a razão humana e contra o homem, como rei da natureza!
Manifestações de toda essa crise geral da cultura podem encontrar-se entre nós. Prova disso é, por exemplo, a antipatia com que círculos minoritários, mas já em impetuosa expansão, vão comentando o V Centenário do Descobrimento e da Evangelização da América, e certo indigenismo arquixenofóbico que chega a lamentar a introdução do Cristianismo em nosso continente, em prejuízo dos cultos idolátricos e supersticiosos, dos infelizes índios, nossos aliás diletos irmãos.
Nada disso é autóctone, mas faz parte de um vagalhão que varre todo o Ocidente.Mas, perguntará alguém, o que tem tudo isto com a atual crise política brasileira?
Todos os fenômenos que acabo de assinalar têm repercussões profundas no campo da moral, e redundam em uma negação, ora mais explícita, ora menos, da moral cristã. Isto posto, pergunto: se essa moral, de perfeição e sublimidade inigualável, ensinada por Jesus Cristo e transmitida pelo Magistério da Igreja Católica com uma fidelidade perfeita, durante tantos séculos, recebesse em nossa terra o acatamento geral que merece, seria possível a atual crise política?
Essa crise universal transpôs os umbrais da própria Santa Igreja. Afirmou-o Paulo VI, ao asseverar ter a sensação de que "a fumaça de Satanás penetrou no templo de Deus" (Homilia, de 29 de junho de 1972, Insegnamenti de Paolo VI, Tipografia Poliglota Vaticana, 1972, Vol. X, p.707).
Nesta perspectiva, o que diria ele se considerasse os múltiplos aspectos do panorama religioso de nossos dias?
6. Tudo isto posto, não consintamos que continue a ter livre curso, no Exterior, um panorama ainda mais desfavorável do que é infelizmente o panorama real dos presentes dias. Saibamos fazer sentir, em todos os países, que o mal de que padecemos nos vem em boa medida de fora, pela TV e demais meios de comunicação, os quais fazem do mundo moderno um só todo pensante, em que são profundas as inevitáveis interpenetrações. E preservemos para nós o precioso direito de manter a cabeça erguida diante do Exterior.
7. Em nossos dias, impõe-se a opção: ou se afirma que a restauração moral de um País nada tem que ver com a religião, ou se reconhece como verdadeiro fundamento da moral a religião, e que cumpre portanto voltar os olhos para esta - e não apenas para um mero remédio político, como seria a restauração de uma Monarquia agnóstica - a fim de encontrar uma solução para os problemas brasileiros.
A segunda opção é básica na tradição da Casa de Bragança, à qual dou toda a minha adesão.
8. Em pronunciamento desta natureza, não toca ao chefe da Casa Imperial intervir em problemas eclesiásticos, a não ser na medida em que esses problemas digam respeito à vida temporal do País. Assim como Pio XI disse com razão que a Igreja nunca intervém na política, a não ser na medida em que a política toca no altar, assim também a Coroa não se imiscui em problemas religiosos, exceto quando os problemas religiosos tocam à Coroa.
É preciso, neste sentido, apontar como um dos elementos do nosso soerguimento moral a cautela com que é preciso evitar que a santa influência da Igreja seja obscurecida em sua doutrina social por correntes ideológicas que ao próprio Papa têm causado notoriamente preocupação, como são, por exemplo, certas correntes da Teologia da Libertação. E como é também o já aludido indigenismo, que pretende considerar nos índios, e somente neles, a célula mater de uma pátria da qual sem dúvida eles são elementos integrantes e queridos. Esse falso patriotismo pretende fazer dos índios a espinha dorsal, quando não o cérebro do País, colocando a cultura indígena como elemento primordial da cultura do Brasil, e o modo de ser índio, e até a vida tribal dos índios como um modelo para o qual o Brasil deve tender.
Tal propaganda da volta ao passado não é uma propaganda da tradição, mas uma propaganda do retrocesso. E feita ademais, com carácter religioso só pode confundir as idéias e turvar as águas límpidas que a Igreja proporciona aos que a seguem.
9. Do ponto de vista temporal, os problemas são múltiplos, mas não faltam os remédios. Sem dúvida, é muito o que é possível fazer para o bem temporal do País, não só no que diz respeito a estimular tudo quanto nele é legítimo progresso, como também no que se refere ao saneamento das finanças, à melhoria das condições sanitárias, de saúde e de habitação, e das condições de vida em geral, da população.
Entretanto, como ponto de partida para esse soerguimento nacional é preciso que o brasileiro não se deixe impressionar demais pela crise atual. Com efeito, o Brasil é muito maior do que a sua própria crise: é ele o maior produtor mundial de cana de açúcar, laranja e café. Ele está entre os três primeiros produtores de soja, milho e mandioca. Temos o primeiro rebanho bovino comercial do mundo: 136 milhões de cabeças. A safra agrícola de 1992 é de 70 milhões de toneladas de grãos.
10. Os brasileiros devem pois animar-se em vista de todos os recursos de que dispoem no campo espiritual como no temporal. Saibamos, pois, erguer-nos de corpo inteiro, dentro das brumas e da tempestade, e enfrentá-la com espírito sereno, com fidelidade à verdadeira identidade do Brasil e às suas gloriosas perspectivas de futuro.
Sobre estes múltiplos problemas, conto estender-me mais, em momento oportuno. Estas não são senão algumas considerações genéricas e fundamentais que desejo colocar ao alcance dos compatriotas. Faço-o no dia 7 de setembro, glorioso dia em que o Imperador D. Pedro I fundou o império brasileiro.
Ele o proclamou na vigília da festa da Natividade de Nossa Senhora. Nessa perspectiva, quadra bem a visita que ele fez questão de realizar à imagem de Nossa Senhora Aparecida, na apressada viagem de volta de São Paulo ao Rio de Janeiro, quando consagrou o país nascente à Mãe de Deus.
Ficam aqui estes pensamentos, sobre os quais sou acessível a toda espécie de diálogo e de contacto dos brasileiros das mais diversas correntes. Saúdo a todos cordialmente, reservando, é claro, uma atenção particular aos que já cerraram fileiras em torno da bandeira da Monarquia e que estão dispostos a atuar por ela até o triunfo, que será um triunfo do Brasil.
São Paulo,
Luiz de Orleans e Bragança
Chefe da Casa Imperial do Brasil